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Mulheres e a Tecnologia da Informação

O Centro Nacional de Estatíticas Educacionais (ou National Center for Education Statistics, em inglês), dos Estados Unidos, mostrou que as mulheres eram apenas 18% dos estudantes nos cursos de Ciência da Computação em 2010 e 2011.

Entretanto, entre 1883 e 1984, este número era de 37%. Na realidade, a proporção de mulheres em ciência da computação aumentou constantemente, assim como a proporção de mulheres inscritas em cursos de Medicina, Direito e Física durante o início dos anos 1980. Mas, em 1984, a porcentagem de mulheres na Ciência da Computação caiu drasticamente.

O que aconteceu? A resposta não é tão clara, mas os apresentadores expuseram alguns potenciais fatores. Em meados de 1980, os computadores pessoais entraram nos lares. Mas os tais Commodore 64, Radio Shack TRS-80 (conhecidos no Brasil como CP-300 e CP-500, da Prológica) e outros eram vendidos com apelo ao público masculino. Como relatado no artigo da NPR, não era possível fazer muita coisa nestes primeiros computadores, e eles eram vendidos como brinquedos - máquinas para jogar videogames.

"Esta ideia de que computadores eram para garotos se tornou uma narrativa. Se tornou a história que contamos a nós mesmos sobre a revolução computacional. E ajudou a definir quem eram os geeks e criou a cultura tech.

Então computadores entraram na categoria de "briquedos para meninos". O acesso e a familiaridade com essas máquinas deu aos meninos uma vantagem inicial em aulas de computação de níveis básicos. Mulheres nessas aulas estavam aprendendo programação pela primeira vez, enquanto homens estavam aperfeiçoando habilidades que desenvolveram por anos. "Eu me lembro de uma vez quando fiz uma pergunta e o professor parou, olhou para mim e disse 'Você já deveria saber disso.' "conta Patricia Ordóñez, que frequentou a Johns Hopkins University no início dos anos 80. "E eu pensei que jamais seria boa naquilo."

A pesquisa sugere que a história de desigualdade de gêneros vem de um efeito bola de neve. Sapna Cheryan, uma psicóloga da University of Washington, em Seattle, investigou como salas de aula decoradas com os típicos "objetos geek"- pôsteres do filme Star Wars, componentes de computadores, latas de Coca-Cola - podem fazer com que mulheres sintam-se como se não pertencessem àquele lugar. O trabalho de Sapna mostrou que mulheres nestes ambientes avaliavam a si mesmas como menos interessadas em Ciência da Computação do que os homens são. A sensação desaparecia em salas decoradas de modo neutro, com plantas e fotos de natureza, como mostra o artigo de Lisa Grossman publicada pelo Science Notes.

Algumas universidades estão trabalhando duro para mudar essa questão, conforme matéria publicada pelo New York Times. Na University of California Berkeley, um curso introdutório de Ciência da Computação começou a receber mais inscrições de mulheres do que de homens ao trocar o nome do curso e acrescentar disciplinas que fazem correlação entre a programação e do mundo real. Por exemplo, cada aula é iniciada com uma discussão sobre um artigo recentemente publicado na mídia. "Nós revertemos tudo o que afasta as mulheres" disse o professor Dan Garcia ao jornal The San Francisco Chronicle

Fazer com que os níveis em queda no gráfico citado subam novamente é importante. A demanda por engenheiros da computação qualificados é alta. Analisando tendências atuais, cerca de um milhão de postos de trabalho na área de computação não têm alunos em formação para preenchê-las. E nós vamos precisar de mulheres para preencher a lacuna.
Fonte: Carol Magalhães